O executivo-chefe da Amazon, Jeff Bezos, apresentou ontem o Kindle Fire, um tablet de US$ 199, desafiando o iPad, da Apple, e estendendo sua marca Kindle ao mundo dos dispositivos multiuso em cores. Bezos também apresentou uma nova linha de leitores eletrônicos Kindle com telas em preto e branco e preços mais baixos, pressionando ainda mais concorrentes como a Barnes & Noble, que tentam vencer o predomínio da Amazon.com na venda de livros eletrônicos.
O Kindle Fire estará à venda nos Estados Unidos a partir de 15 de novembro. O aparelho tem cerca de metade do tamanho do iPad, o que o torna bastante semelhante ao e-reader Nook Color, da Barnes & Noble, lançado no ano passado. A Amazon, porém, tem objetivos mais amplos para o Fire, como plataforma para jogos, filmes, música e outras aplicações.
Mesmo antes de seu lançamento, o Kindle Fire foi anunciado como sendo um digno concorrente do iPad. A Amazon é quase única em sua capacidade de vender conteúdo - como e-books, filmes e música - adequados a um tablet, exatamente como faz a Apple. Mesmo assim, competir com a Apple não será fácil. Muitos tentaram copiar o sucesso do iPad, mas o aparelho continua sendo, de longe, o favorito na categoria dos tablets. A Apple vendeu 28,7 milhões de unidades entre abril de 2010 e junho deste ano. Analistas da empresa de pesquisas Gartner estimam que três a cada quatro tablets que serão vendidos neste ano sejam iPads.
"A razão pela qual algumas das empresas que produziram tablets e os colocaram no mercado não foram bem-sucedidas é porque (apenas) produziram tablets. Elas não criaram serviços", disse Bezos, em entrevista. "De modo que o que fizemos foi realmente integrar perfeitamente todas as nossas ofertas de mídia, vídeo, filmes, TV, aplicativos, jogos, revistas, e assim por diante."
Sarah Rotman Epps, analista da Forrester Research, disse que a venda de todo esse conteúdo faz com que o Fire seja a única concorrência crível ao iPad neste ano. "Em tese, a Sony poderia fazer algo semelhante, mas não o fez, e parece que não o fará. Eles têm um tablet, mas só percorreram metade do caminho em serviços", disse ela.
Analistas esperavam que o Fire fosse vendido por cerca de US$ 250. Sarah disse que o preço de US$ 199 é "de fazer cair o queixo", e acrescentou que o Fire deverá ser um forte concorrente não só da Apple como de outros fabricantes de tablets, como a Samsung Electronics, a Motorola Mobility Holdings e a HTC.
Analistas especularam que a Amazon subsidiaria o tablet, buscando recuperar algum dinheiro com a venda de livros e de filmes. Mas Bezos disse que sua companhia está satisfeita com uma pequena margem de lucro. "Queremos que o equipamento seja rentável e que o conteúdo seja rentável. Nós realmente não queremos subsidiar uma coisa com outra", disse o executivo.
Sarah Epps estima que a Amazon venderá entre 3 milhões e 5 milhões de aparelhos até o fim do ano, mas a data tardia de colocação dos aparelhos no mercado provavelmente fará com que o número fique mais próximo do piso da estimativa, disse ela.
O Fire roda uma versão do sistema operacional Android, do Google, usado por outros "aspirantes" a iPad, e terá acesso a aplicativos por intermédio da loja Android, da Amazon. O equipamento não vem com câmeras, presentes em praticamente todos os tablets concorrentes. Também não tem encaixe para expansão de memória, uma característica comum em outros tablets Android.
O novo Kindle mais barato da Amazon custará US$ 79 e não virá com o teclado presente nos seus antecessores, desde o primeiro modelo, lançado em 2007. Por US$ 99, a Amazon também está colocando à venda o primeiro Kindle preto e branco com uma tela sensível ao toque; ele se assemelha ao mais recente Nook, da Barnes & Noble. Uma versão com acesso à rede celular da AT&T custará US$ 149. Versões sem publicidade custarão mais US$ 30 a US$ 40.
Bezos disse que os modelos subsidiados por publicidade têm sido os mais populares. Antes, o Kindle mais barato custava US$ 114, com publicidade. Esse preço foi reduzido, na quarta-feira, para US$ 99. Bezos disse que não vê o Fire como, eventualmente, um substituto dos Kindles. "O que vai acontecer é que as pessoas vão acabar comprando ambos. Porque eles são realmente para finalidades diferentes. Para as pessoas interessadas em ler, faz sentido ter um dispositivo com esse fim específico", afirmou.
Fonte: www.valor.com.br




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